Igreja Matriz de São Pedro de Palmela
- Vanessa Poeira

- 30 de jan. de 2025
- 3 min de leitura
A Igreja Matriz de Palmela, edifício do século XVI, apresenta três naves com colunas toscanas e está revestida interiormente por painéis de azulejos barrocos datados do século XVIII, onde estão representadas cenas da vida de São Pedro.
Inclui ainda um importante conjunto escultórico e pictórico setecentista.

Igreja de reconstrução pós-terramoto, de planta basilical clássica, fachada axial, desenvolvida em simetria, com duas torres sineiras de coroamento em cúpulas bulbosas.
Uma escadaria de pedra constituída por 15 degraus, em cujo patamar cimeiro funciona uma cancela de ferro, faz comunicação com o adro, todo murado à volta, onde três palmeiras se perfilam ante o frontispício *1, com terraço em redor do edifício, e um miradouro com vista para a Serra do Louro e seus moinhos, ligando lateralmente a plataforma sobre a qual se ergue a edificação moderna da casa paroquial, conjunto rodeado por passeio pedonal calcetado como elemento separador do espaço rodoviário, tendo próximo o edifício dos Paços do Concelho.
Temática: passos da vida apostólica de São Pedro, desde o seu chamamento por Jesus à crucificação; representações alegóricas das virtudes: sobre o altar de Nossa Senhora da Conceição, "Fé" e "Esperança", sobre o altar de Nossa Senhora da Vitória, "Obediência" e "Piedade", sobre uma pintura da Assunção da Virgem, "Zelo" e "Pobreza", sobre o presumido altar de Santo Amaro, "Tolerância" e "Fortaleza", sobre o altar do Senhor dos Passos "Sapiência" e "Fortaleza"; nas paredes da capela-mor, da banda da Epístola, a queda do maná no deserto, para alimentação dos ismaelitas, conforme descrição bíblica (Ex. XVI; Núm. XI), da banda do evangelho, jorro de água do rochedo, segundo descrição bíblica (Ex. XVIII). Pintura sobre tela com representação de santos: da direita para a esquerda, São Jerónimo, São João Evangelista, Santo Agostinho, Santo Ambrósio, São Gregório Magno, São Tiago, (FORTUNA, 1991); por cima da porta de acesso ao coro, "Descida da Cruz"; primeiro altar lateral direito, "A Assunção da Virgem"; sobre porta de acesso ao antigo baptistério, "A Circuncisão de Jesus"; primeiro altar lateral esquerdo, presumivelmente Santo Amaro; na antiga capela do Santíssimo, três quadros de cinco mártires cada.
Cronologia da Igreja ao longo dos séculos: 1320 - documentada a existência da igreja primitiva; 1412 - documentada a existência da igreja; 1510 - data conhecida da mais antiga visitação feita à igreja pelo Mestre de Sant'Iago, D. Jorge, no cumprimento do contacto periódico com as igrejas que se integravam na jurisdição da Ordem; 1534 - data de visitação feita à igreja; séc. 16 - época de Imagem de madeira estofada e policroma, representação de São Tiago e de imagem esculpida em pedra; séc. 17 - data de pintura em tela e de imagens esculpidas em madeira; séc. 18 - nesta época a planta da igreja apresentava uma porta em cada parede lateral; data de várias pinturas em tela e de imaginária esculpida em madeira; 1713, 10 de Abril - data do incêndio de que a igreja foi palco e que a deixou muito arruinada; 1717 a 1747 - período em que o padre Luís Feio Barrocas foi pároco na igreja, que correspondeu à época de obras de restauro do edifício, o que levou à transferência de celebrações religiosas da responsabilidade da paróquia para a igreja da Misericórdia; 1745 - ano inscrito sobre a porta principal, provavelmente referente ao ano de restauro da fachada da igreja, após o fogo que a arruinara; datação aproximada dos azulejos dos painéis da capela-mor, a qual estaria próxima da dos azulejos da nave (SIMÕES, 1979); data em que se procedeu ao arranque de azulejos para reparação *2; 1755 - ruína da igreja devido ao terramoto; 1858, 11 de Novembro - tremor de terra que danifica grande parte do revestimento azulejar da igreja; 1860 - a porta S. foi entaipada com alvenaria, depois de ter sido arrombada; 1862 - reconstrução da parte danificada devido ao último tremor de terra, com participação do pintor Mariano Brandão na reposição dos painéis de azulejos.
ARQUITECTO: António Rodrigues (autor do risco).
PINTOR: Mariano Brandão (1862).
Fontes:
Entidade Regional de Turismo da Região de Lisboa
Sistema de Informação para o Património Arquitectónico





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