Dia 15 de Setembro, Manuel Maria Barbosa l'Hedois du Bocage faz 258 anos da sua existência
- Vanessa Poeira

- 13 de set. de 2023
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Atualizado: 6 de dez. de 2024
Nasceu a 15 de Setembro de 1765, 10 anos após o devastador Terramoto de 1755.
Bocage ficou órfão de mãe, que era de origem francesa, aos seus 10 anos, e filho de pai advogado. Dois anos após se estabelecer na cidade de Setúbal, em 1783, alistou-se na Academia dos Guardas-Marinhas, em Lisboa. E foi neste período que Bocage conheceu a vida boémia, e formou o seu estilo poético.
Vivia-se a época do Iluminismo, "O Século da Filosofia", onde se evidenciaram diversos intelectuais com ideais políticos, religiosos, e sociais, com evidência no ideal de liberdade e igualdade na humanidade. E Bocage encaixa-se neste modelo ideológico. Modelo esse que se vive na actualidade.
A par com Luís Vaz de Camões, deixou na nossa cultura a sua marca.
Foi na capital portuguesa que Bocage mostrou os seus dons de improvisos poéticos. Hoje em dia, o mais parecido que temos são as 'batalhas de Rap', onde através de rimas são oralizadas as mais diversas criticas socio/politicas. Ao fim de 10 meses, Bocage desistiu da Academia, tendo sido dado como desertor a 6 de Junho de 1784. Mas dois anos depois, a 4 de Abril de 1786, foi nomeado guarda-marinha, o que lhe proporcionou a partida para a Índia, via Brasil. Viajar pelo mundo no século XVIII não é como hoje que temos aviões, cruzeiros, e outros meios mais demorados. Não era um qualquer cidadão que tinha esta possibilidade. Mesmo em oficio, eram, e ainda são, experiências muito enriquecedoras a qualquer nível. Nesta experiência na Índia, três anos depois, aproximadamente, foi promovido a Tenente, mas mais uma vez desertou, e refugiou-se em Macau, até conseguir o regresso a Lisboa no ano seguinte, 1790.
«Foi um tradutor rigoroso do latim e do francês, vertendo para o nosso idioma textos de Ovídio, Museu, Lacroix, Voltaire, Delille, Pierre Rousseau, entre outros.» - Centro de Documentação de Autores Portugueses.
A sua impulsividade e visão iluminista, iria trazer-lhe reais problemas: «Em 10 de Agosto de 1797 foi preso por ordem do intendente Pina Manique, acusado de ser «autor de papéis ímpios e sediciosos». A peça principal do auto de acusação era o poema Pavorosa Ilusão da Eternidade. A 7 de Novembro do mesmo ano foi transferido para os cárceres da Inquisição, daí seguindo, a 22 de Março de 1798, para o Hospício de Nossa Senhora das Necessidades, dirigida pelos padres do Oratório. Pouco depois saiu do convento e um trabalho regular e remunerado tornou-se nele uma necessidade desde o momento em que procurou dar à irmã mais nova, Maria Francisca, um lar. E assim se instalou na travessa André Valente, no andar onde morreu e se encontra afixada uma placa comemorativa da sua presença.» - Centro de Documentação de Autores Portugueses.
Durante este período, escreve a sátira ao Padre José Agostinho de Macedo, de nome: Pena de Talião, ao que partilho aqui um trecho:
«Refalsado animal, das trevas sócio,
Depõe, não vistas de cordeiro a pele!
Da razão, da moral, o tom que arrogas
Jamais purificou teus lábios torpes,
Torpes do lamaçal donde, zunindo
(Nuvens de insectos vis), te sobem trovas
A mente erma de ideias, nua de arte.»
As sátiras de Bocage foram-lhe trazendo uma legião de 'inimigos', que hoje apelidamos com o estrangeirismo 'haters'. A vida não ficou facilitada ao poeta.
Vitima dum aneurisma, Bocage torna-se uma pessoa que acabaria por depender de terceiros. Algo que a sua personalidade livre e independente não permitia. Mas já nesta época, o dinheiro já se fazia necessário como actualmente, e foi graças ao seu amigo, José Pedro da Silva, que lhe recolheu os poemas compostos durante a sua doença e os publicou, vendendo-os pela rua, que o poeta auferiu alguns recursos com que manteve a sua modesta residência.
Falece a 21 de Dezembro de 1805.
«Bocage foi um ser contraditório, que soube viver intensamente na sua poesia as suas contradições existenciais. O seu fascínio pela morte e a expressão da sua extrema emotividade fazem dele um precursor do Romantismo, cujos desbordamentos evitou no apego à contenção clássica, impondo-se como um artífice do verso, o chamado elmanismo, que tanto atrairá os parnasianos portugueses e brasileiros.» - Centro de Documentação de Autores Portugueses.

A cidade de Setúbal vai estar em festa e entre os dias 14 e 17, inclui concertos, exposições, encontros literários, dança e actividades desportivas. Veja o programa da festa no site oficial do Município de Setúbal (link abaixo da foto).
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